Eu devia estar contente porque eu tenho um emprego, posso me matricular numa universidade que com certeza foi feita pra ricos, sou o dito cidadão quase respeitável e ganho uma merreca por mês.
Talvez eu devesse ser normal. Levantar de manhã, tomar café e banho, escovar os dentes e bater o ponto e fazer minhas tarefas burocráticas e almoçar e trabalhar direitinho sem destaque nem advertências e bater o ponto e ir embora e ver novela e dormir e acordar e seguir com toda essa baboseira para o todo sempre a caminho de mais uma vida disperdiçada.
Acho que eu só queria ser comum agora. Não me preocupar com o bem das pessoas que eu nem conheço. Não me preocupar com colegas. Nem com as pessoas queridas que me farão falta porque a convivência provavelmente diminuirá geometricamente. Pessoas que me ensinaram um monte de coisas. Pessoas que deram risada comigo dos fatos são absurdos/engraçados/tristes porque não podemos melhorar o que a gente quer ou gostaria de melhorar.
Talvez eu não deva estudar; foi apenas mais uma peça aplicada pelo Destino. Talvez eu nem sirva pra isso mesmo. Afinal, tem tanto doutor por aí, com menos da minha idade. Tantos outros bacharéis ou mestrandos ou aspirantes a uma vida acadêmica que não se sentem "dignos" de serem chamados de Mestres ou de Doutores por acharem que esse tipo de conhecimento ou título só devia ser dado pra alguém que realmente viveu e tem a bagagem para tal: tanto a acadêmica quanto aquela que a gente chama de extra-classe. Talvez eu só deva cumprir o meu papel nada especial e me conformar com tudo o que acontece.
Tenho certeza já há muito de que quando deram o New Game da minha vida escolheram o modo Very Hard. Por que não podia ser mais fácil? Só um pouquinho. Eu não queria um modo de trapaça. Só queria que fosse um pouquinho mais fácil. Não muito. Só um pouquinho.
Pode ter sido um anjo safado que veio quando eu nasci.
Tô cansado. Tá foda.
Mas eu dô um jeito. Sempre deu certo, né. Hora dessas eu me arrumo.
Espero que me entendam. As pessoas de quem gosto, que andam por perto, que convivem comigo: me desculpem. Às vezes eu sou um chato. Não é por mal. Acho que é por pensar demais. E eu sempre me fodo porque penso demais. Pensar não adianta nada. Pra quê? Ninguém quer que gente como eu pense. Gente como eu tem que entender que não manda nada. Talvez, se eu tiver sorte, alguém roube alguma idéia minha e faça bom uso dela. E receba todos os méritos, é claro. Ainda assim vou ficar feliz já que, afinal, gente como eu quando pensa, pensa para o bem dos outros.
Tudo tri então. Não queria incomodar.
Tô bem. Só queria escrever um pouco.
Té.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
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4 comentários:
Bah Jean, eu já vivi isso.. mais de uma vez... e normalmente eu ficava assim tão chateada quanto tu..
As vezes levava um bom tempo até eu entender que se vive mesmo é no presente.. e que qualquer planejamento, por mais simples e próximo que pareça, pode cair por terra em qualquer instante...
Não acho que pensar não adianta nada, mas estou certa de que pensar DEMAIS muitas vezes atrapalha. Existem muitas formas de enxergar a "realidade", porém, é bem aos poucos que eu estou descobrindo que uma das melhores é sem apego (no sentido mais amplo da palavra). Estou aprendendo a meditar (que em outras palavras é não pensar).. e por mais irônico que isso pareça: muitos pensamentos melhoram quando se adquiri o hábito regular de "não-pensar" alguns minutos por dia.
Experimenta, te prometo que mal não vai fazer.
E sim, tenho certeza que tu vai dar um jeito!
Força
beijão da Clacs
Pensar incomoda, às vezes, mas é só quando nos damos conta, por exemplo, que merecemos e podemos mais (e tu sabe que tu merece e pode mais)é que levantamos, sacudimos a poeira, mudamos as nossas estratégias para conseguir o que queremos...é uma belíssima droga, mas às vezes, é necessário uma sacudidela pras coisas entrarem nos eixos. No final vai dar tudo certo! Tô aqui. Te amo. Bjok
Cada um de nós compõe a sua própria história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, e ser feliz.
Mestre Louis Yoda
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