Tínhamos planos de ir à praia. O tempo ficou murrinha. Dormimos até o final da manhã, trabalhamos um pouco em casa, às 18h fizemos almoço e falamos bobagens. Depois vieram as ilustrações do dia, de autoria da nossa querida Nik!
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Vida boa!
Tínhamos planos de ir à praia. O tempo ficou murrinha. Dormimos até o final da manhã, trabalhamos um pouco em casa, às 18h fizemos almoço e falamos bobagens. Depois vieram as ilustrações do dia, de autoria da nossa querida Nik!
Que língua, a nossa!
Depois de uma bela festança, onde rimos muito, comemos queijo com linguiça, tomamos muito suco de pera e ouvimos música... acordo tranquilamente, visto uma roupinha leve e vou até a Quintino Bocaiuva comprar um jornalzinho.
Passo na casa do meu irmão para dar comida à cachorra, que pula em mim e me enche de pelos!! Que coisa essa cachorra não para de pular, que coisa bem antissocial!! Sujou toda a minha calça! Ela faz isso frequentemente!! Vou pegar algo emprestado da minha cunhada e só encontro uma minissaia. Minissaia não!! Azar, meio anti-higiênico, mas fico assim mesmo...
Depois de sacudida e espanada, lavo as mãos, pego umas bolachinhas, passo geleia, e coloco um leitinho pra esquentar no micro-ondas.
O dia está meio escuro e dentro de casa mais ainda, então vou pra baixo da claraboia, onde tem mais luz pra eu ficar à vontade e enxergar melhor o panorama do novo ano, no diário.
Começo a ler.
O que era aquilo? Não mais do que umas cinquenta palavras sublinhadas no texto! O que estava acontecendo?! Eu não tinha ideia...
Ah, para! Aquilo começou a me dar um enjoo... Que feiura!! Era a estreia da nova ortografia da língua portuguesa. Eles redigiram sublinhadas todas as palavras que sofreram alterações com a reforma.
Muito joia... Grrrrr!! O que eles tão pensando?! Que tramoia é essa?! Eles não veem que é terrível escrever assim?! Tão achando que a gente é debiloide? Com frequência vem uma sequência de palavras sem acentos! Tristeza...
Justo eu que sou super-romântica e super-resistente, ou melhor, sou ultrarresistente!! Vim cair de paraquedas no meio dessas palavras com caras estranhas!! Eu não apoio isso, não!!
Fui ficando furiosa e comecei a dar pontapés em tudo, quase a ponto de ter que chamar o veterinário pra me dar um antirrábico!! O que eles querem? Isso é antieducativo!! A criatura passa 32 anos aprendendo, corrigindo, escrevendo e se esforçando pra redigir tudo certinho, daí vêm uns boicornetas (será que "boicorneta" tem hífen?!) que mudam tudo de repente e a gente fica como?! Eu me senti uma semianalfabeta!! Agora tenho que aprender tudo de novo!! Eu que já sou há tempos uma ex-
-aluna colegial... isso é subumano!! Não perdoo!!
Não aguento mais isso! Tô ficando paranoica!
Mas agora estou com uma ideia mirabolante! Tô superotimista: vou juntar minhas coisinhas, meu creme antirrugas que comprei no Natal, alguns documentos, algumas roupas quentes, vou pegar o próximo voo e vou tirar umas férias no polo norte. Assim eu fujo deste calor, refresco a cuca e já aproveito a outra cultura pra ver se me torno uma pessoa bilíngue.
Então hoje entendo, dou razão e abençoo minhas vovozinhas que escreviam: "coloque o assúcar e o côco num recipiente junto às outras cousas e estará pronta a sobremesa do almôço."
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Jean
Hoje é níver do Jean!
Injusto ninguém na cidade!
Vamos fazer uma reuniãozinha e fazer momentos legais como este do ano passado? Mas não precisa ser tão quente como estava!!!
Quem se habilita?!?
Eu vou, eu vou!!
Mas... antes que o dia real passe...
Parabéns pra ti e que tenhas tudinho de "bão" e faceiro no próximo ano!!
domingo, 28 de dezembro de 2008
Uruguay



Me enche de felicidade inexplicável! Na estrada aquele silêncio, a linda paisagem deserta, o caminho reto que se sumia no horizonte... Fui parar no Uruguay "sem querer". Eu nem acreditava! Respirava aquele cheiro da gasolina uruguaia, aquele cheiro de plátanos no verão... Olhava aquelas casinhas baixinhas de teto reto, ouvia aquela língua que eu adoro ouvir.
Me enche de felicidade inexplicável!! Estar no meio de um lugar e de pessoas despretensiosas, onde parece que tudo resiste bravamente às invasões culturais dos outros lugares, onde soa e aparenta uma certa inocência que me remete ao tempo em que não éramos tão neuróticos com a tecnologia da informação e à agressão psicológica dos dias de hoje, que nossa capacidade de ser não consegue acompanhar.
Me enche de felicidade inexplicável comer un "helado de dulce de leche" e compartilhar todo esse meu estado entumecido de alegria com quem me proporciona isso!
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Bacopari
Para quem interessar possa, uns amigos malucos e eu estaremos indo para a Lagoa Azul, ver a cobra amarela, noites de luar e caminhadas nas dunas.
Nada de mais. E tudo de bom.
Dia 26 vamos e não sabemos quando retornamos. Acampamento secreto, ninguém pode saber heim, hehehehe...
Quero, no fundo, desejar um ótimo natal, de todo o coração, para todos vocês. Esse espaço virtual serviu, e serve, para que a gente olhe e veja coisas que não vê, sinta os passos trilhados em caminhos velhos e novos. E que, principalmente, todos sintam-se felizes com suas essências. A essência de cada um dá o gosto da salada palavratória.
Beijos no coração de vocês!!!!
sábado, 20 de dezembro de 2008
Papai Noel

Há pouco conheci essas lindas meninas, com quem tive o prazer de passar uma tarde.
Sua mãe é quem cuida da limpeza do prédio onde moro. Terminadas as aulas, elas acompanharam a mãe em seu trabalho.
Sentadas nas escadas, com aquelas carinhas de tédio, não consegui ficar indiferente aos seus olhares de "Eba, algum movimento acontece por aqui!" e começamos a conversar.
Passamos uma tarde bem animada, com direito a sorvete e música!
Uma semana depois, vem o pedido para eu escrever para elas a cartinha pro Papai Noel dos Correios.
"Querido Papai Noel", pra ti foi enviado o pedido de duas meninas que desejam uma boneca cada uma, além de uma piscina e uma bicicleta.
De quebra, a mãe pediu também material escolar e sapatos. Desta parte Dona Aninha Noel se encarregou.
Nessas horas esqueço todo meu discurso contra o velho gordo e encasacado da Coca-Cola e essa onda consumista que nos prende no final do ano...
Não vale olhar esses dois rostinhos faceiros, ainda inocentes e esperançosos, e dar uma mãozinha para que seus sonhos sejam em parte realizados?
Feliz Natal para todos, inclusive àqueles que, como eu, não têm nada a ver com aquele que nasceu há 2008 anos de uma mãe virgem e blá, blá, blá!!
Grandona

Não sabia muito bem o que estava acontecendo, mas bastante movimento tinha.
Com seu vestidinho florido, presa apenas por uma mão, ela andava pra lá e pra cá, em meio a "seus" convidados, demonstrando que tudo aquilo e todos aqueles faziam parte de um grande cenário que a deixava muito à vontade.
Na hora do parabéns, todos olhavam para ela e batiam palmas como que a convidando para também bater. O que será que estava acontecendo?
Quando ouviu seu nome em coro, repetidamente, após o "rá-tim-bum", percebeu que o negócio era com ela mesma.
Nossa grandona está quase, quase caminhando sozinha, está dentuça e tem seu linguajar próprio, além de "vovó", "Vavá", "papai" e "mamãe" já com aquele sotaque manhoso e irresistível: "mããíín"!
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Semaninha

Ô coisa bem boa essa semaninha que passou!! Tanta coisa aconteceu que deu vontade de escrever mil coisas a cada dia. Mas com essas mil coisas feitas, mal consegui parar em casa, muito menos na frente do computador. Me deu até vontade de fazer... uma lista!! Pra compartilhar com vocês o que aconteceu, sem ter que escrever um tratado a respeito de cada uma delas! Como a gente se sente pleno quando percebe as coisas boas que nos acontecem!!
sábado, 13 de dezembro de 2008
Caríssimos
Hoje acordei muito bem.
Resolvi fazer minhas listas de coisas que ainda não fiz e pretendo fazer e também de coisas que fiz e quero fazer de novo.
Ainda não desci no tobogã Adrenalina. Minha filha desceu umas 5 vezes nesse tobogã que fica numa piscina lá em Foz do Iguaçu. Sim, se Deus quiser, fevereiro, descerei pelo "Adrenalina".
Ainda não conversei com algumas pessoas para pedir desculpas sobre coisas do passado. O passado, é passado, mas a gentileza é para o tempo todo. Sentirei-me melhor, se puder expressar o que sinto para algumas pessoas.
Ainda não li alguns livros que comprei esse ano. Parece simples ler um livro. Para mim, não é. Sentar a bunda numa poltrona e ler é uma decisão demorada. Mas necessária. Quando eu leio, eu me sinto melhor.
Ainda não peguei estrada com o meu possante Palio. Tenho planos de sair nas férias com o carro, e passar pelas praias de Santa Catarina, ou descer ao Uruguai. Falta uma companhia. Mas falta pouco. E quem sabe, nessas férias eu faço isso, se não, nas próximas. E pode ser de fuca, no problem.
Ainda não abri uma melancia esse ano. A última vez que fiz isso, acho que eu tinha uns 15 anos.
Eu já fiz muita música esse ano. Compus e regi. E vou seguir fazendo.
Eu já estudei muito. Gosto de estudar e vou estudar no próximo ano.
Eu já amei muito. E vou seguir amando no próximo ano.
Eu já fiz muitos amigos. E vou seguir fazendo novos amigos.
Eu dei um presente para o meu pai. Meu pai já faleceu. Mas tenho outro. E é o pai que eu sempre quis ter. Algumas noites tomamos cachaça e falamos sobre a vida. Vou sentir muita falta dele quando ele se aposentar.
Eu já fui ao cinema e vou hoje, com a Fernanda.
Eu fui feliz, e continuarei sendo feliz.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Trezegraus
Dia 06.06.08 foi o primeiro encontro do grupo.James e Thiago já trabalhavam juntos há tempos e queriam formar uma banda de música instrumental que não tivesse "um cabeça", que todos abraçassem juntos a causa. Alguma proposta nova, mas ainda nada sabido. Chamaram a mim e ao Jakka pra participar do trabalho.
Após alguns pouquíssimos ensaios veio a notícia de que o projeto do James e do Thiago para a gravação de um cd, com apoio da Fumproarte, tinha sido aprovado. Como recém tinham formado o grupo e, paralelamente, teriam que se dedicar à gravação do cd com músicos convidados, eles fizeram a "terrível" proposta de gravar o cd com esse novo grupo e perguntaram o que eu e o Jakka achávamos.
Resultado: o grupo tinha "meia dúzia de ensaio pingado" e já tinha um cd pra gravar!!
Logo em seguida já veio o convite para participarmos do "Primeiro Festival Jazz às Pampas", que aconteceu em outubro no TSP.
Nome do grupo? Depois de muito pensar e a nenhuma conclusão chegar... James precisava mandar o material pro Festival imediatamente... acabou que escolheu o nome mais inusitado, que foi a temperatura que tava na rua, no dia em que nos reunimos para decidir o nome da banda. Nos mandou um e-mail avisando "Ó, mandei o nome da banda como sendo Trezegraus!"
Pronto!
Estamos aí!!
Começamos as gravações do cd nesta semana! Acho que será um trabalho muito gostoso!!
Estou super feliz!
Ainda sem a autorização da fotógrafa Lu Mena Barreto (já vou pedir pra ela. Se der galho eu edito aqui este post), vou fazer propaganda do trabalho dela que me deixou muito surpresa pelo seu olho maravilhoso!! Essas fotos foram tiradas no ensaio do dia 03.12.08. Parabéns, Lu!
http://picasaweb.google.com/lu.menabarreto/13Ensaio#
E hoje descobri que tem uma amostrinha na internet da gravação ao vivo do show no TSP, dia 22.10.08. Tá... dêem um desconto, é ao vivo, "aquela" equalização, com nossa banda neném. Mas neném também tem muito pra ser curtido!
http://www.buzinadogasometro.com.br/web/artista/Perfil.aspx?id=102
"Trezegraus"
Thiago Colombo - violão
James Liberato - violão e guitarra
Aninha Freire - contrabaixo acústico
Luiz Jakka - percussão
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Isso merece um post!
Estou devendo váááários posts, estou ciente disso. Devo desde o período em que saímos de Porto Alegre até a mudança oficial pra Campinas, passando pelo meu período de estadia em Rio Claro (também no interior de São Paulo) e a primeira fase do vestibular.
Está sendo curioso e divertido descobrir aos poucos a cidade e seus "nativos", tenho muitas coisas coloridas e divertidas pra contar (e outras mais no estilo tragicomédia). O apartamento ainda parece ter recém recebido a visita de um furacão, mas juro que já esteve pior!!
Assunto certamente é o que não falta, porém o tempo é escasso: tirando tudo o que preciso organizar por aqui ainda tem a segunda fase do vestibular que já mordisca meus calcanhares (isso considerando que passei para a segunda fase, o resultado da primeira ainda não saiu).
Resolvi quebrar o silêncio de meses devido a visão de uma figuraça que anda pelas redondezas daqui do bairro: um carroceiro.
Pessoal, não é um carroceiro comum, esse realmente parece amar o que faz! (pena eu ainda não ter tido coragem de pedir pra tirar uma foto dele e do carrinho de mão) Ele não apenas decorou TODA a carrocinha de mão com carrinhos de brinquedo, dragões, bichos, cartazes e capas de vinil como instalou um equipamento de som!!! E pasmem, ele trabalha ouvindo, entre outras coisas legais, Massive Atack! Ahh, quase esqueci de comentar que ele anda com roupas pra lá de originais, óculos estilão Ray-Ban anos 70 e um corte de cabelo amalucado. Esse aí está rivalizando com o clássico mendigo que eu vi lendo Shakespeare num enorme sebo em NY.
Os mais desavisados podem ler este post e achar que esses são comentários frívolos e "classissistas", e para esses eu explico que não se trata disso. Simplesmente o post vale para partilhar com vocês o que eu sinto ao ver pessoas como estas duas figuras das quais citei: o quanto se pode ser mais feliz e original independente de profissão ou situação financeira. Eles não parecem estar esperando por uma situação melhor (ou almejando por ela) pra viverem intensamente o momento. Ok, não conversei com nenhum deles pra descobrir se eles concordam com este meu ponto de vista, embora não se possa negar que a felicidade estava ali estampada pra quem tivesse olhos pra ver. E eu tive!!
Abração
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Vó Necy
Se aqui ainda estivesse, estaria com 85.
Vovó vaidosa e cheirosa... perfumada até demais!
Sempre vestida com blusa de abotoar, saia, anágua, meia-calça cor da pele e sapato de salto.
Acordava e ia direto se maquiar.
Vovó dondoca.
Tinha medo de ir pro sítio por causa das cobras.
Tinha uma casa com quadros por todos os lados.
Móveis antigos e bastante cacarecos a serem descobertos e fuçados.
Tocava piano, bordava e falava Francês.
Pintava as unhas, fazia escova.
Convidava as amigas para o chá preto das 17h, em louças reservadas só pra isso.
...porém falava de boca cheia...
Pessoa generosa, generosa até demais.
Inventava até o que não tinha para aos outros agradar.
Tocava violão e assobiava com um vibrato de invejar!
Dirigia seu Corcel II begezinho. Fazia cada barbeiragem!
Ela quem me ensinou a dirigir... nos meus 10 anos de idade!!
Ia passear comigo e me ensinava a cantar cantigas.
Jogava canastra com a netinha que a passava pra trás.
Na praia não ia pra praia. (Tenho a quem puxar.)
Passava o verão arrumando a casa e com a vassoura na mão.
Gostava de ter seus cadernos onde escrevia poesias e escrevia suas lições de Francês e de Inglês, com sua caligrafia impecável!
De tarde tinha sono compulsivo. Bobeava, dormia até em pé.
Como roncava!! Tremia a casa!!
Se dedicava à neta única como se só existisse ela na vida.
Netinha dondoca. Sempre ganhou da vovó tudo o que quis!!
Nunca podia faltar um pacote de "filhós" pra comer.
Netinha boneca que, antes de sair de casa, precisava passar na frente do espelho para que a vó e a babá a fizessem uma "cachucha" ou "chiquinha" de cada lado, com o cabelo bem penteado.
Um sábado, depois do almoço, fui me despedir dela pra ir para o ensaio.
Ela me deu um abraço que me disse tudo. Transmitiu o quanto me amava e que não estaria mais fisicamente presente daquele dia em diante.
Ela sabia. Eu passei a saber a partir daquele momento.
Pouco antes do Natal. Ela comprou presentes para toda a família, deixou cada um com seu nome e respectivo bilhetinho e foi para o hospital.
"Tita: Te amo muito. Sê uma boa moça como tens sido até hoje. Abraço, vó Necy. e um beijo."
Vó, tô tentando! Às vezes é difícil, mas não quero te desapontar!
Te amo!
Obrigada por tudo!!
domingo, 7 de dezembro de 2008
Tarefas Inusitadas II
Uma amiga está tocando no grupo de percussão "Turucutá" e tocaram no "Afro-sul/Odomodê".
Antes de ver a superdesenvoltura dela, não só tocando como "apitando" e conduzindo toda aquela batucada, assisti também a uma dança afro.
Muito bonito! Tudo muito interessante!!
Me senti um ET ali, mas tudo bem.
Fiquei tão feliz de ter feito outra coisa "diferente" e ter me divertido!!
Volver
é duro voltar atrás de uma decisão, mas as vezes é preciso. Depois de pensar muito sobre minha vida, e novas missões que pretendia buscar, decidi, que o melhor, no momento, é ficar onde estou, fazer o que tenho para fazer, e sentir melhor os sinais que se apresentam.
Eu não estaria bem em Curitiba, longe do meu nenê...
Sei que um dia, ela vai estar voando por aí, longe das minhas asas, mas quero, agora, acompanhar os passos dessa menina que eu amo muito. Minha filha, vale mais que projetos, nesse momento da minha história.
Então, Porto Alegre, terá a minha companhia por mais alguns tempos. Enquanto a cidade me quiser, ficarei por aqui.
E seguirei cantando... beijos
sábado, 6 de dezembro de 2008
Dos gardenias para ti
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Entrelinhas
pesar

Em uma de minhas viagens fui parar num vilarejo do interior do país Imaginário, onde conheci Sra. Lee.
Uma senhora muito querida, simpática, porém reservada. Tinha muita dificuldade para se locomover. Olhei para seus pés e vi que, na minha frente, estava um remanescente exemplar chinês com "pé de lótus".
Já tinha ouvido falar daquilo, mas nunca tinha estado tão perto para ver como era.
Ela me convidou para sentar em sua varanda e perguntou se eu queria um chá.
Passei uma tarde inteira com ela e de lá eu não queria sair. Era muito gostosa a sua companhia. Tínhamos muitas coisas para conversar e bastante trocas culturais para fazer. Gostamos muito uma da outra.
O que me deixava triste era que, por causa de sua limitação motora, deixamos de fazer muitas coisas.
Ela disse que um de seus maiores sonhos era ter podido jogar bola e correr livre num campo, mas que seus pés de lótus vinham de uma tradição de seu país e o processo já começava desde muito pequenininha, sem que ela tivesse a oportunidade de optar. Era um processo muito doloroso.
Se acostumou porque não sabia como era ser diferente.
Estava chegando a hora de eu ir embora. Algo me deixava inquieta. Eu queria muito acompanhar a Sra. Lee por muito tempo ainda e queria tanto ter a oportunidade de vivenciar com ela a realização de seu sonho.
Comentei com ela que eu tinha ouvido falar de um médico que poderia reverter a sua situação, mas que seria uma difícil temporada. Ela precisaria de muita coragem e paciência, mas que com cirurgia, fisioterapia e uma boa dose de força de vontade, ela ainda poderia viver muitos anos caminhando normalmente e, quem sabe, até correndo.
A princípio ela se animou com a idéia. Pegou minha mão e resolveu que queria ir comigo.
Eu não tinha muito tempo, meu trem estava por partir e era necessário que fôssemos relativamente rápidas.
Ela se levantou.
Apoiada em mim, seu peso e sua dificuldade às vezes faziam com que eu me desequilibrasse e também tivesse dificuldade para andar com o cuidado de não deixá-la cair.
Na medida em que ficava muito tempo em pé e dava um... dois... três passos... ia doendo nela cada vez mais. Doía muito.
Essa dor fez com que ela pensasse em toda a sua vida, como ela passou todos esses anos e como ela sempre foi e chegou até ali. Assim ela sabia ser. Essa dor fez com que ela questionasse o fato de ter pés comuns e vir a transformar-se numa "idiota", pois possuir pés de lótus, na sua cultura, era prestigiado e raro. Essa dor lhe reconfortava por tudo dela saber e lhe deu medo do que não conhecia para além dela. Essa dor fez com que duvidasse de que poderia um dia andar normalmente. Queria ela mesmo andar normalmente? Essa dor fez com que ela não suportasse mais, largasse a minha mão e sentasse de novo.
Eu segui. Precisava pegar meu trem.
No caminho eu comecei a chorar. Queria muito continuar com Sra. Lee. Juro que é bom ter pés normais e poder andar!
...agora só posso lamentar e me conformar com o fato de que ela realmente não teria forças para andar muito. E eu não poderia carregá-la na garupa para o resto da vida.
Boa sorte, Sra. Lee! Realmente gostei muito de ter estado contigo!!
Mais um momento
Em cada página ela colocou fotos de bons momentos que ele passou na vida e pessoas queridas dele.
E eu estava lá.
Fiquei feliz por estar entre as pessoas queridas. Porque foi uma iniciativa da esposa dele. Porque existem diferentes patamares de querer bem sem ter que se estressar com isso. Porque não tem preço que pague a liberdade de não se ter medo.
Homenagem

Sábado estava acabando de tirar uma sestinha, quando toca o telefone.
Era nossa blogueira Patty dizendo que seus pais estavam em Porto Alegre e que sua mãe tinha um presente pra mim.
Qual não foi a minha surpresa quando vi que Dna. Valcíria tinha pintado um quadro cujo tema era eu tocando contrabaixo!!
Foram dois meses de trabalho!!
Nossa... como fiquei contente!! Foi muito inusitado!
Nem sei como agradecer tamanho carinho!
Muito obrigada!!!



