
"Deve ter alamedas verdes
A cidade dos meus amores
E, quem dera, os moradores
E o prefeito e os varredores
E os pintores e os vendedores
As senhoras e os senhores
E os guardas e os inspetores
Fossem somente crianças"
O ser humano se perdeu.
Se perdeu na sua pressa,
no seu egoísmo,
no seu imediatismo.
Nisso perdeu sua inocência,
sua fantasia e hoje nem lembra mais como viver.
Perdeu a memória.
Perde a razão.
O ser humano deixou de ser criança, mas ainda não aprendeu a ser adulto.
Adolescência, fase de conflitos.
Temos que chegar na idade adulta sabendo ser uma responsável criança.
Hoje ainda tinha caturritas cantando e voando no futuro Jardim Europa. O sol brilhava no verde por volta da primeira sombra dum espigão. O paralelepípedo contrastava com o início do asfalto. As casinhas bucólicas sorriam. Eu andava no meio da rua.
Hoje eu vivo, olho, ouço e respiro. Amanhã eu conto como foi. Depois de amanhã, ainda bem, não estarei aqui para me entristecer.
Hoje chorei. Chorei porque sou feliz.
6 comentários:
Tua felicidade espraia-se (como diria o Olivio) nos pampas de nossa alma minha flor...
ai que lindo!!!!!!!
poesia leve, que faz a gente flutuar pelas palavras... delícia!!!
(estou louca pra ver como vai ficar o Jardim Europa hehe)
Eu não estou NEM UM POUCO afim de ver como vai ficar o Jardim Europa! Aquele empreendimento me dá quase uma raiva...
O que é o Jardim Europa? hehehe
O Jardim Europa é uma devastação que a Goldsztein fez naquele terreno super-hiper arborizado que tinha ao lado do Iguatemi. Em "troca" de vááários espigões, eles deveriam "construir" um parque com área de preservação e fizeram o "Parque Germânia", que é o típico parquinho pra inglês ver!!
Resumindo: a gente vê um parquinho boboca, cheio de gente desfilando as roupinhas da moda e as árvores e matos sendo destruídos na nossa cara, no meio de outdoores maravilhosos contando vantagens a respeito do empreendimento.
Grrrrr!!
Gosto dos paralelepípedos.
De fato é uma das palavras mais atrativas do idioma português, cheia de letras... Tua poesia se desliza suavemente pelos paralelepípedos e faz com que os prédios flutuem, deixando entrever as árvores que já foram.
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