terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Parábola das Árvores






Certa vez, as árvores resolveram querer.
Uma árvore muito idosa estava cansada de seus galhos pesados e caídos. E resolveu pedir a Deus para que Deus levantasse os seus galhos aos céus, como antigamente. Deus, por sua vez, não entendeu o pedido. Mas, a pedido da árvore, com suas mãos bondosas reergueu os velhos galhos da velha árvore. Ela sentiu-se muito bem. Mas aos poucos, e de maneira muito rápida, os galhos, novamente, sentiram o peso do tempo, e despencaram no chão.
Uma outra árvore, muito jovem, pequena ainda, resolveu fazer um pedido a Deus. Ela não gostava de suas folhas unicamente verdes. Pediu a Deus para que suas folhas e galhos fossem muticoloridos, como o eram as flores e todas as plantas da vizinhança. Deus não entendeu o pedido, mas, como que num passe de mágica, transformou as folhas verdes e galhos em várias cores. A jovem árvore sentiu-se radicalmente feliz. Entretanto, o processo de fotossíntese já não era como antes; ela não desenvolveu-se como suas irmãs, e ficou pequena. Escondida entre as outras que haviam crescido, sufocou-se, pois não havia mais a luz do sol.
Uma terceira árvore morava num lugar árido, numa passagem para descanso de muitas pessoas e animais. Ela resolveu fazer um pedido a Deus: queria ir para perto do mar, ou do rio, e ficar também à sombra de uma montanha, pois ali onde ela estava, o vento a castigava muito. Deus não entendeu o pedido da terceira árvore. Mas atendeu o pedido, arrancando-a de seu lugar e levando-a para a margem de um rio, ao pé de uma montanha. Por algum tempo, o novo lugar deu uma sensação de liberdade à terceira árvore. Mas as suas raízes, não conseguiam fixar no novo solo, mais úmido e rochoso, e a árvore despencou pela força das águas.
Uma outra árvore resolveu querer também: ela pediu a Deus que deixasse de ser estéril e passasse a dar frutos, como suas outras irmãs. Logo, Deus atendeu o seu pedido. Mas a árvore não entendeu a ação de Deus. Deus não havia feito o que ela pedira, porque Ele simplesmente encheu a base da árvore de um esterco muito fedido e muitas chuvas cairam durante alguns anos sobre aquela região. A árvore não entendeu porque Deus havia feito aquilo com ela, pois não era o que ela havia pedido. Um tempo depois, flores nasceram em seus galhos e frutos brotaram, e as crianças que por ali passavam, brincavam sob sua sombra e chupavam suas deliciosas mangas, levando sementes nos bolsos.

3 comentários:

Profe Karen disse...

Que lindo!!!
Nossa... super profundo...
Isso me fez lembrar de uma frase que eu falei ainda ontem pra Ana Paula: "às vezes não conseguir o que se quer, é um golpe de sorte". E às vezes, a gente demora pra perceber isso, né...

Beijo imenso =*

Louis Marcelo disse...

O que acontece é que me sinto na merda, mas tenho esperança que a merda produza frutos... e já tentei, conforme as outras árvores, pedir coisas impossíveis né... essa parábola escrevi no ano passado, e foi usada numa avaliação de uma disciplina do mestrado...hehehehe...espero um dia que as crianças venham comer mangas sob minha sombra.

Profe Karen disse...

Então pare de te sentir na merda.

E comece desde já a brotar esses frutos aí.

Eu gosto de pensar assim = todos os dias quando acordo, eu escolho: ser triste, ou ser feliz?

O que tu escolhe???

(Don't forget it: life is too short, babe!)